Celular ao volante

PESQUISA MOSTRA QUANTO ISSO RETARDA OS REFLEXOS

     Usar o celular ao volante aumenta significativamente o número de situações de tráfego em que o motorista demora a reagir ou simplesmente não reage. O perigo é maior quando ele está tendo uma conversa complexa, mas mesmo diálogos que não exigem muita concentração retardam manobras com o volante ou o acionamento dos pedais. As conclusões são de uma pesquisa feita pela entidade canadense de trânsito AAA Foundation for Traffic Safety. O estudo mostrou ainda que a distração provocada pelo telefone celular é duas ou três vezes maior em pessoas com mais de 50 anos. O estudo foi feito com 151 motoristas de diversas idades, que assistiram a um vídeo de 25 minutos com 47 cenas de trânsito em que os participantes deveriam reagir manipulando o volante ou os pedais. As cenas foram repetidas em número igual para cinco situações: fazendo ligação num celular, tendo uma conversa simples no celular, tendo uma conversa complexa, sintonizando uma estação de rádio e, por fim, sem nenhum motivo de distração.

MÃO OCUPADA

     A pesquisa conclui que falar ao celular não distrai mais do que conversar com um passageiro do carro. No entanto, o perigo é agravado por dois fatores: em geral uma das mãos está ocupada com o celular; e a disponibilidade do aparelho, cada vez mais comum, aumenta o número de conversas, inclusive as de negócios, justamente as que causam mais distração. "O celular distrai tanto que dificilmente o motorista consegue se lembrar do que aconteceu no trânsito, às vezes até esquecendo por onde passou", relata o médico Moise Seid, membro da Associação Brasileira de Acidentes e Medicina de Tráfego (Abramet). Para ele os acidentes estão diretamente ligados à rapidez com que o o motorista reage a uma situação: qualquer fator que retarde seus reflexos pode causar acidentes.

VIVA-VOZ

     Marcelo Varella, diretor do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil), também adverte sobre os perigos de dirigir conversando pelotelefone. Na pior das hipóteses, diz ele, o motorista deve usar o viva-voz. "Esse recurso não deixa de distrair, mas pelo menos o motorista tem as mãos livres para realizar uma manobra brusca." Pelo Código de Trânsito Brasileiro, dirigir com apenas uma das mãos é infração média, com a perda de quatro pontos e multa de R$85,00. Atualmente, nas grandes cidades, onde os congestionamentos já fazem parte da rotina dos motoristas, "muita gente começa a inventar coisas para não perder tempo, como fazer um lanche, dar um telefonema ou até passar os olhos nas manchetes do jornal enquanto o trânsito anda devagar", diz Varella. As estatísticas sobre a distração são escassas e não somente por causa da falta de recursos das entidades de trânsito brasileiras. Marcelo Varella diz que é muito raro alguém admitir que bateu o carro porque estava distraído ou usando o celular enquanto dirigia. Estudos do órgão de trânsito norte-americano NHTSA mostram que um motorista desatento é a causa direta ou indireta de 50% dos acidentes. Mas a entidade vai além: ela está realizando várias pesquisas para verificar os efeitos dos equipamentos como sistema de navegação na segurança dos ocupantes.

AutoMov